portugal avançado

Publié le par Bel Butcher

Atenção: este "poste" foi escrito anos atrás, digo há semanas.

E PS: desculpem-me, mas fiz revisão desse texto a 1h50 da manhã e sem óculos. E sem luz também.


Agora que desencantei (faz-me rir, Isabel!), quero escrever uma porção de coisas (querer não é poder)! E, no momento, será sobre Portugal. Quando decidi que viria (bom, esse post já está tão atrasado que é iria) passar seis semanas na terrinha, fiquei super ansiosa, falava maravilhas do povo, da comida, da paisagem, do calor. Alguns amigos ficaram curiosos com o pequeno país e até passaram a considerar Portugal Europa e, então, a para passar alguns dias. Fiz uma propaganda e tanto.

Desde que cheguei não posso reclamar. Sol, calor, simpatia reinam por aqui e sinto-me com o pé no Brasil. Aliás, gosto (muito) das referências que encontro por todo o canto. Centro de Lisboa lembra o centro histórico do Rio, nas pastelarias encontro coxinhas de galinha, brigadeiros e os pães de queijo que reforçam os laços. O Guaraná e o matte leão, facilmente encontrados nos supermercados fazem com que me sinta realmente em casa.

 

No início das minhas 6 semanas fiquei na casa de amigos (santas criaturas que me acolheram por 3 semanas!) numa das cidades (está mais para bairro de tão pequena que é) entre Lisboa e Cascais. Fiquei na Parede. Isso mesmo. Parede é seu nome. Acho que Portugal deveria competir com São Paulo para saber quem tem os nomes mais esquisitos de bairros, cidades e ruas, mais, bref... Foi ótimo. Boas companhias, o pequeno Gabriel fofo que diz cão! para tudo e Melissa e Hugo sempre prestativos e companheiros. Durante a primeira semana perdia-me loucamente entre a estação de trem e o apartamento. Se sabia ir, não sabia voltar. É impressionante a minha incompetência geográfica-direcional. Mas as pessoas na rua sempre me ajudaram e foram muito simpáticas ao me darem indicações. Uma delas pediu-me mais detalhes e dei: fica ao lado de um Pingo Doce (supermercado) e da escola de dança Ana Manjericão. A moça, sensibilizada com os 5kg que carregava nas costas e a minha cara de putz-perdida-de-novo-não, disse que me dava uma carona pois ia para o mesmo lado. O problema é que essas mesmas referências existem em um outro ponto de Parede. E, o que é pior: era noite do jogo Portugal x Espanha e a partida estava começando. Ao chegarmos no lugar que ela achava que era, disse que não reconhecia nada daquilo. "Então deve ser no outro Pingo Doce", disse-me. Eu falei que ficava ali mesmo muito obrigada, mas que não era preciso ir até lá (até porque ela estava do lado da casa dela). Mas que nada, nem cogitou me abandonar do outro lado da Parede (até porque sabe-se lá o que tem do outro lado da Parede, não é mesmo?). Levou-me até o outro supermercado e, aí sim, reconheci (pelo menos isso!, nulle!). Nessa noite, Portugal saiu da copa... Mas ela fez a boa caridade de levar uma brasileira perdida para casa.

 

Outra santa criatura foi uma carona que me tirou do fim de mundo e me deixou no centro de Cascais, onde pego o trem para casa. Mas essa merece explicação. A editora de jogos na qual faço o jogo fica no fim do mundo à esquerda. Ok, é quase um exagero. Mas são uns 15 minutos de carro numa região meio Recreio dos Bandeirantes: zona residencial de casas, só os empregados circulam à pé (além dos estagiários não remunerados, claro) e os carros passam batido. Eles ficam num pequeno condomínio de empresas (tipo um downtown sem o côté miami e sem a infra de um shopping), longe de tudo e de todos e, sorte minha, tem um barzinho com almoço (bem razoável) a preços de coca-cola em Paris. Enfim, voltando... Essa santa criatura me levou até Cascais e pudemos conversar sobre como o mundo está corrompido com o dinheiro, que dinheiro é um horror, como estamos desiludidos com tudo, etc e tal. Ele dirigindo o seu Skoda (ou BMW, já não me lembro) e eu de carona, feliz, protegida do sol graças ao dinheiro dele, hehehe. Mas, brincadeiras à parte, foi ótimo o papo. E ele ainda me deixou num lado de Cascais que não conhecia e pude ver um pouco da parte histórica da cidade (que é muito fofa).

 

Mas, como tudo que é bom dura pouco, precisei mudar-me. Assim, Foi para Cruz Quebrada. E durante todo o tempo que lá fiquei consegui, às duras penas, não dizer cuzqurebada. Foi um dos principais desafios dessa segunda etapa em Portugal. Enfim, tive outros desafios, claro.

Um deles era fazer compras. Ao contrário da Parede, Cruz Quebrada-um-tigre-dois-tigres-três-tigres não tem muito comércio (ah, como o pão de queijo da estação de trem me fez falta durante essas três semanas...), então, tive que fazer compras em Cascais, sair carregada, pegar o trem e subir o monte Everest, que era onde ficava o apê. Com a diferença que o meu Everest fazia 40 ºC. Positivos. Mas tudo bem! Era temporário - só três semaninhas - e tudo é festa, estava em Portugal, ora, pois!

 

 

No início tive problemas com a língua. Nada grave, claro, mas sentia que estava a aprender uma quarta língua. Ó pá, não era francês, não era inglês, não era espanhol e, convenhamos, não era o meu português... Aiai. Estava morrendo de vergonha no início, pedindo para as pessoas repetirem pois tinha dificuldades típicas de quem está num país estrangeiro. O português (o ser, digo, o ser humano) é como o francês: não articula as palavras e o vocabulário é um pouco diferente do nosso, o que complica em alguns momentos. Mas até que o meu ouvido é bom e hoje entendo até o tuga com a língua presa que me atendeu no restaurante de hoje (bom, não é mais hoje, é tipo... "há umas quatro semanas" porque a Isabel é uma preguiçosa de uma figa que não escreve nesse blog, que começa a criar lacraias, aranhas e sujeira).

 

      Agora posso botar orgulhosa no meu CV: línguas estrangeiras francês, inglês espanhol e portugal - nível avançado!

Publié dans Voyage - voyage

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